A viagem recomeça!
Quero agradecer, de verdade, todos que me escreveram via e-mail, orkut, facebook, blog. Não houve um comentário que tenha lido e que não tenha me deixado emocionado, com a certeza que em momentos difíceis o que ameniza a dor são as palavras de apoio. Com a ajuda de vocês e muita conversa com meus irmãos – pois em um momento desses uma decisão dessas não se toma sozinho – fomos amadurecendo, respeitando o meu estado emocional. Decidimos que estou onde minha mãe sempre sonhou que estivesse, e realizar esse meu sonho é como realizar os sonhos dela. Por isso, optamos em continuar, com muita superação e motivados a cada dia pelos e-mails de amigos, familiares e até mesmo de desconhecidos. Assim, vamos vivendo a cada dia e tendo provas que a vida sempre continua: não importa onde estamos, o importante é viver!
Prometo aqui, quando voltar para o Brasil, reproduzir com carinho, na cozinha do Duetto (www.restauranteduetto.com), todas as receitas que aprendi ao longo da viagem, detalhando o passo a passo com fotos e tudo mais. Algumas um pouco raras e outras muito interessantes, como a crepe a base de cerveja pilsen, as folhas de arroz negro ou até mesmo o caviar de manga. A cada semana postarei uma receita nova e estarei sempre disponível para tirar quaisquer dúvidas!
No dia 5 de agosto acordamos às 8h00, depois de uma noite mal dormida, pois estávamos cheio de saudades e empolgados com a chegada da Dani. Como é bom rever aquele sorriso! Às 9h30, pontualmente, estávamos na porta do hotel esperando a loja de aluguel de carros trazer nosso “companheiro” para ir até o aeroporto de Barcelona. Nesse momento, houve um pequeno desencontro: já eram 10h30 e ainda nem sinal do nosso carro. Foi quando o telefone tocou e era um rapaz perguntando onde eu me encontrava, pois a moça da locadora já estava esperando há quase uma hora na recepção do hotel para me entregar as chaves do carro. Eu, infelizmente, estava do lado de fora esperando por ela. Contratempo resolvido, marchamos rumo ao aeroporto um pouco apressados, pois o avião da Dani estava previsto para aterrissar às 11h00 e não queria perder esse momento por nada: vê-la sair pela porta de desembarque onde todos lhe vêem, mas você não consegue ver ninguém. A não ser que, entre os que estejam lhe esperando, haja alguém um pouco escandaloso.
Era quase meio dia e estávamos bem próximos de chegar, quando avistamos uma placa: “Terminal 1 à direita e Terminal 2 em frente”. Pensamos: “- Fu…”! Mas como somos sempre otimistas, também pensamos “temos 50% de acertar e 50% de errar”. Assim, viramos à direita, estacionamos o carro e fomos em direção à área de desembarque, onde pelos meus cálculos a Dani já devia estar saindo e então aquele sorriso que esperávamos já teria se transformado em outra coisa que é melhor nem citar. Graças a Deus – ou à Ibéria – as malas foram trocadas e estavam em outro vôo que estava vindo de Madrid também e chegaria meia hora depois. Com isso, ficamos ali parados, esperando com aquela cara de que estávamos ali desde às 11h30.
Então o momento veio, ela saiu e, meus amigos, foi só alegria, abraços, beijos e apertões. Em alguns momentos a distância é ruim, mas também ajuda a valorizar muitas coisas que temos e, às vezes, esquecemos ou não damos mais valor!
Depois de nos perdermos por Barcelona em busca do hotel escondido, e também com nosso GPS apresentando algumas falhas na rota, entrando na contra mão, em ruas sem saídas e entre outras coisas, chegamos ao nosso destino. Malas guardadas e carro estacionado (missão que não é fácil em grande cidades ou pior ainda em Florença, que narrarei mais para frente), fomos comer uma paella de mariscos em um lugar indicado por meu amigo Xavi, de Barcelona, que realmente estava fantástica. Vamos reproduzi-la aí no Brasil com todas suas técnicas e desmistificar os segredos para fazer uma boa paella e quem sabe torná-la um prato comum em sua casa nos dias de domingo.
Nosso GPS
Dormimos cedo essa noite, pois teríamos apenas um dia para apresentar a cidade à Dani. No dia seguinte, acordamos cedinho e já colocamos o pé nas ruas, pois além de conhecer melhor a cidade caminhando por ela, se locomover por Barcelona de metrô é muito mais fácil e prático que de carro.
Nossa primeira parada foi tomar um café rápido em uma “lanchonete”. Pedimos um “bocadillo” (são lanches servidos em baguetes) de jamón e um de chistorra (linguiça de carne de porco condimentada a base de páprica doce). De lá, fomos em direção ao parque de Galdi, que possui uma curiosidade: um de seus acessos fica uma rua muito íngreme e, por isso, possui escadas rolantes enormes, o que dá um toque todo especial antes mesmo de chegar ao parque. É mesmo um lugar encantador. Suas linhas e formatos chegam a dar nó no cérebro e não é difícil ver pessoas inclinando a cabeça na tentativa de compreender melhor o “traçado” de suas colunas.
Parque de Galdi
Colunas do parque
No topo do parque
Com o tempo justo decidimos fazer uma rota e conhecer alguns pontos e um restaurante indicados pelo meu amigo Xavi. Saímos pela entrada principal do parque e fomos em direção à Sagrada Família, projetada por Galdi e que até hoje está em construção. Seu término está previsto para 2013, o que dizem ser impossível, pois reza a lenda que todas as noites, por ser muito antiga, algumas partes se desfazem e, assim, sempre há o que ser refeito…
Sagrada Família
Seguimos em direção à Barceloneta, um bairro bem badalado e agitado. Lá ficam as praias de Barcelona. Mas antes, no caminho entre a Sagrada Família e Barceloneta, paramos para almoçar no restaurante indicado por nosso amigo. Pedimos de entrada um ravioli recheado com frutos do mar servido com molho branco (bechamel) e molho romanesco e também uma salada verde e de cenoura com pedaços de camarão, caranguejo e mexilhões servidos com vinagrete de gengibre.
Ravioli recheado com frutos do mar
Salada de frutos do mar
De prato principal pedimos um salmão grelhado acompanhado de purê de batatas, aspargos salteados e salada verde, e também um atum semigrelhado acompanhado com purê de batatas e abacate empanado no gergelim branco. Todos os pratos estavam muito apetitosos, mas o atum semigrelhado estava realmente saboroso. Embora pareça um pouco estranho usar abacate como acompanhamento, isso fez com que o prato ganhasse um toque diferenciado e surpreendente.
Salmão grelhado
Atum semigrelhado
Retomamos o rumo de Barceloneta felizes pela refeição em um bom lugar, pois comer é desfrutar de um prazer raro!
Quando estávamos quase chegando às praias de Barceloneta, lembrei que meu amigo comentou que há um homem que caminha pelado pelas ruas de Barcelona. Pega metrô, ônibus, vai ao mercado, tudo nú. Comecei a comentar com a Dani sobre o “peladão” de Barcelona e ela olhava para mim e dizia: ” – Isso deve ser lenda!”, e eu ” -Meu amigo daqui disse que já viu ele no metrô e que ele anda normalmente, como se estivesse com roupa”. E ela: ” – Não acredito muito!”. Nisso olhei para frente e disse: “- Se não acredita, olha para frente, então!”. Nesse momento passava pela gente o famoso “peladão” de Barcelona. Só deu tempo de discretamente levantar a câmera e registrar a cena, o que não precisava ser tão discreto, pois ao passar por um grupo de turistas japoneses, ele foi bombardeado por flashes. Mas continuou ali, tranquilo, em sua caminhada vespertina!
A lenda
Depois de conhecer uma das lendas vivas da cidade, fomos tentar arrumar um lugar nas areias de Barcelona, para estirar nossas toalhas e curtir um pouco o som do mar. Mas, ao invés disso, quem já esteve em Barcelona deve recordar as incansáveis vozes de homens vendendo cerveja na praia: “- Cerveza, beer very cold, very sexy!”. Parece mentira, mas ficamos ali olhando e são muitos, muitos. Como todos que estão curtindo um dia de praia ficam deitados ou sentados em suas toalhas, o que se pode ver é um andar incansável de vendedores de cerveja de um lado para o outro da praia.
Olhamos o relógio e resolvemos começar o caminho de volta ao hotel, mas dessa vez iríamos de metrô. Antes de chegar à estação de Barceloneta, encontramos um grupo de salsa que reunia centenas de pessoas à sua volta. Ficamos ali curtindo um pouco sua música, esperando o dia acabar para então voltar à Platja D´Aro e nos preparar para começar nosso tour até Roma!





































































